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A Euribor está novamente a subir. O que muda para quem quer comprar ou vender casa?

A Euribor está novamente a subir. O que muda para quem quer comprar ou vender casa?

A Euribor está novamente a subir. O que muda para quem quer comprar ou vender casa?

Durante algum tempo habituámo nos a falar da descida dos juros.

Agora o cenário voltou a mudar.

Em agosto de 2026, as médias mensais da Euribor subiram nos três principais prazos. A Euribor a 12 meses chegou aos 2,954%, a seis meses aos 2,713% e a três meses aos 2,513%. Já no início de setembro, a taxa a 12 meses voltou a ultrapassar os 3%.

Para quem tem crédito habitação isto pode traduzir se numa prestação mais elevada.

Mas há outra parte desta história que me interessa particularmente.

Quando o crédito muda, o mercado imobiliário também muda.

Para quem quer comprar, a capacidade financeira conta ainda mais

Imagine alguém que podia comprar uma casa por 500.000 € há alguns meses.

Se o custo do financiamento aumenta, essa mesma pessoa pode passar a sentir se confortável apenas nos 470.000 € ou 480.000 €.

A casa não mudou.

O salário não mudou.

Mas mudou o custo mensal de a comprar.

E isso influencia diretamente aquilo que os compradores conseguem oferecer.

É por isso que, antes de começar a procurar casa, continuo a achar fundamental perceber primeiro a capacidade financeira real.

Não apenas aquilo que o banco está disposto a emprestar, mas aquilo que faz sentido pagar todos os meses.

E quem está a vender também deve prestar atenção

À primeira vista, a Euribor parece um problema exclusivamente de quem compra.

Não é.

Se está a vender uma casa, são precisamente esses compradores que vão determinar a procura pelo seu imóvel.

Quanto maior for o esforço necessário para financiar a compra, mais criterioso tende a ser o comprador.

Compara mais.

Negocia mais.

Pensa duas vezes antes de subir uma proposta.

E determinados patamares de preço podem passar a ter menos compradores disponíveis.

Isto não significa que seja uma má altura para vender.

Significa apenas que é ainda mais importante perceber quem é o comprador provável da sua casa e aquilo que ele consegue realmente pagar.

O BCE também está novamente no centro da discussão

Em junho, o Banco Central Europeu aumentou as taxas diretoras em 25 pontos base, justificando a decisão com maiores pressões inflacionistas. Em julho decidiu mantê las inalteradas. A próxima decisão de política monetária está marcada para 10 de setembro de 2026.

O que vai acontecer depois?

Não tenho uma bola de cristal e desconfio sempre de quem fala do mercado como se tivesse uma.

O próprio BCE continua a dizer que as decisões serão tomadas com base nos dados disponíveis em cada momento.

Então vale a pena esperar?

Depende.

E sei que não é a resposta mais emocionante.

Para quem está a comprar, esperar pode significar encontrar melhores condições de financiamento.

Mas também pode significar encontrar preços diferentes, menos oferta ou mais concorrência.

Para quem está a vender, esperar pode fazer sentido em determinadas situações e não fazer absolutamente sentido noutras.

Uma decisão imobiliária não deve ser tomada apenas porque a Euribor subiu ou desceu algumas décimas.

Há que olhar para o imóvel, para o mercado onde está inserido, para os objetivos de cada pessoa e para o timing do negócio.

O mercado não é apenas um preço por metro quadrado

É uma das coisas que mais tento explicar aos meus clientes.

Duas casas semelhantes podem ter resultados completamente diferentes dependendo da forma como entram no mercado.

E num momento em que o financiamento volta a pesar mais na decisão dos compradores, perceber a procura torna se ainda mais importante.

Se está a pensar vender, não basta perguntar:

“Quanto vale a minha casa?”

Eu acrescentaria outra:

“Quem consegue comprá la hoje?”

É a resposta às duas perguntas em conjunto que começa a dar uma visão mais realista do negócio.

Está a pensar vender?

Se está a considerar vender nos próximos meses, podemos começar por perceber onde está.

Analiso o imóvel, os negócios comparáveis, a concorrência e o momento atual do mercado.

Depois digo lhe aquilo que penso.

Sem prometer um número só porque é aquele que gostaria de ouvir.

Primeiro perceber. Depois decidir.

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Frederico Silveira

Consultor Imobiliário

4min